Centro Espírita Pai Mujongo da Bahia reinicia seus trabalhos.

Centro Espírita Pai Mujongo da Bahia reinicia seus trabalhos.

É com muita alegria que comunicamos que, depois de vários meses de obra, a Casa de Vovô Mujongo reinicia seus trabalhos em Benfica. Isso acontecerá no dia 26 de julho, às 09 horas da manhã.

É a segunda vez que a casa passa por uma reforma que se prolonga naturalmente até o mês de julho, reabrindo com uma festa para Nanã Buruquê, padroeira do Centro.

Agradecemos aos nossos queridos companheiros que acreditaram e ajudaram a realizar essa obra.

Aguardamos a presença de todos os fiéis frequentadores para esse evento, pois uma casa umbandista só tem vida quando há união e participação dos fiéis.

Depois de saudarmos Nanã, realizaremos a gira de Ibejada para nos trazer mais alegria aos corações.

Até domingo! Saluba Nanã!! Salve Ibejada!

Entre as pedras e a cegueira

Entre as pedras e a cegueira

 ENTRE AS PEDRAS E A CEGUEIRA

Uma menina candomblecista foi apedrejada quando saía do seu terreiro; parece que os agressores tinham uma religião diferente. Um religioso famoso ofende publicamente um jornalista também famoso, que responde com mais ofensas públicas. No nosso país faltam escolas, mas ganha força a ideia de que o importante é prender os jovens, cada vez mais jovens, em presídios. Pessoas que pregam a mensagem de amor incondicional ao próximo de Jesus Cristo se acham no direito de apontar quais amores podem ser vividos e quais não podem.

    Não sei se você, que agora lê este texto, concorda comigo, mas tudo isso me parece muito contraditório, não? É coerente uma religião que prega a paz, a união e a compreensão mútua servir de justificativa para seus fiéis agredirem (física ou moralmente) aqueles que não a professam? Um líder cristão, que se diz “um homem de Deus”, não deveria dar exemplo de mansidão e respeito a seus irmãos, “filhos de Deus”? Se é verdade que “a quem mais é dado, mais é cobrado”, a quem nunca se deu nada (nem educação, nem alimentação, nem saúde de qualidade) pode-se agora dar o castigo como “prêmio”? Como é que se pode, ao mesmo tempo, de um lado amar “a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, e, de outro lado, maldizer alguma forma de amar?

Intolerância religiosa, redução da maioridade penal, homofobia… É possível ver em todas essas coisas,tão presentes no nosso cotidiano, pelo menos uma causa comum: a cegueira. Não a cegueira física, a privação do sentido da visão. Não, não é dessa cegueira que estou falando. Estou falando da pior cegueira que existe, a cegueira moral, aquela que não nos deixa enxergar que não existe diferença, por exemplo, entre literalmente atirar uma pedra em alguém que tem uma devoção diferente da nossa (uma criança, no caso, o que é pior ainda!), e metaforicamente julgar, condenar e punir alguém que, por não ter tido as mesmas oportunidades que nós, age de maneira diferente do que acreditamos ser o certo.

Também é um tipo de cegueira assim – cegueira moral – não enxergar que, se não é justo apedrejar alguém por uma diferença de credo religioso, tampouco é justo usar nossas próprias preferências sexuais como parâmetro para julgar as preferências sexuais dos outros. Não vou me aprofundar na discussão por esse viés, mas a ciência já comprovou que HETEROSSEXUALIDADE OU HOMOSSEXUALIDADE NÃO É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA consciente, assim como não é possível escolhermos a cor da nossa pele ou dos nossos olhos, nem nossa estatura, por exemplo. A preferência sexual nasce com as pessoas, é instintiva, não é uma opção. Ainda que muita gente tente dizer o contrário, é isso que as pesquisas científicas mais adiantadas no mundo têm revelado.

Mas não vou seguir por esse caminho. Como eu falei, não é meu objetivo discutir ciência neste espaço. Volto então para aquilo que nos une a todos aqui: o desejo de aprender um pouco mais sobre como vivermos em paz, felizes e de acordo com o mandamento maior que Jesus nos ensinou, o “Amar ao próximo como a si mesmo”. E volto a isso com a certeza de que, para cumprir esse mandamento, é indispensável enxergar o seguinte: se nenhum de nós quer estar no lugar da menina que foi apedrejada, também nenhum de nós deve querer se colocar no lugar de quem apedreja crianças e jovens que não estudaram, que viveram uma vida de miséria e privação e (na maioria das vezes por isso) se tornaram infratores; quem não quer ser apedrejado (por ser negro, ou pobre, ou umbandista, ou baixo, ou feio, ou mulher etc, etc, etc…) precisa enxergar que dizer que o amor de um homem por outro homem, ou de uma mulher por outra mulher é errado, é feio ou é pecaminoso…, pensar coisas assim, enfim, também é apedrejar o próximo – pelo menos duas pessoas, em cada um desses casos.

Em resumo, Jesus ensinou a não atirar pedras em ninguém. Aquele que, cego, atira pedras, pode acabar apedrejado. Mais cedo ou mais tarde.

Luciano Nascimento