Palestra doutrinária na gira de Preto Velho

Palestra doutrinária na gira de Preto Velho

No início da gira de Preto Velho, sábado, dia 14 de maio, às 17 horas, a expositora Neusa Tamaio, do Centro Espírita Cristófilos, fará mais uma palestra. O evento terá a duração de 45 minutos, começando às 17 horas. A casa será aberta às 16 horas para anotação dos nomes da assistência; essa anotação para no início da palestra e reinicia depois dela.

 

… * por Luciano Nascimento

… * por Luciano Nascimento

O silêncio é o ponto de encontro da alma com Deus.

(Lubienska de Lenval)

          Todo dia é sempre assim: despertador (!!), transporte (lotado), trabalho (muito), comer rapidinho (quando e o que der), mais trabalho (muito!), transporte (abarrotado!!), casa (o colégio ou a faculdade, para alguns…), mais trabalho (muito mesmo!), novela (bíblica ou épica?), cochilo na poltrona (inevitável)… e cama. Dali a algumas horas começa tudo de novo. Aliás, em meio a esse “tudo de novo” sempre igual, há algo importante que não se pode esquecer: o celular. A rotina fica assim, então: despertador (app no smartphone); uma olhadinha no Facebook, no Twitter, no Instagram, no Snapchat, no Whatsapp…; transporte (com fones no ouvido e olhos na tela do celular); trabalho (com várias pausas “rapidinhas”, “pra se manter conectado, né?“); comida (sanduíche, salgadinho, marmita ou PF… tanto faz, desde que o celular esteja por perto); transporte (“sempre ON!“), casa (colégio ou faculdade, mas “geral ligado no que tá rolando na rede“), mais trabalho (ao som de alguma playlist do Spotify, claro!), novela (acompanhando ao mesmo tempo todos os spoilers das novas temporadas das séries do Netflix), cochilo na poltrona (quase se enforcando no fio dos fones do celular)… e cama (sem esquecer de antes postar #PartiuCama, evidentemente).

Não adianta: a correria do dia a dia, que já era muita e de que todo mundo reclama há tempos, ficou ainda maior ultimamente com a velocidade alucinante da internet e, sobretudo, com a presença constante dela que os smartphones promoveram. Isso fica evidente na hora do rush: é só observar um ônibus ou um vagão do metrô em qualquer grande cidade do mundo; é enorme a quantidade de pessoas mergulhadas no universo particular da tela dos próprios celulares, teclando, vendo fotos, postando mensagens em redes sociais etc, etc, etc.

Acontece que toda essa conectividade traz consigo um tremendo prejuízo: está faltando tempo para o silêncio. É tanta informação, são tantas possibilidades de comunicação, é tamanha a exposição pública e universal das próprias “opiniões”… Enfim, é tanto palanque que sobra gente pra falar e falta pra ouvir.

Isso é um tremendo prejuízo porque pra ouvir Deus é preciso fazer silêncio. Sim, é verdade que a existência de Deus grita aos nossos sentidos nas cores, nos gostos, nos cheiros, nas texturas e nos sons da natureza e da cultura. Sim, é verdade! Contudo, ainda assim, é no silêncio dos detalhes que Deus nos fala.

Deus nos fala na quietude branda do amanhecer da montanha visto pela janela da condução lotada na hora rush; Deus nos anima na muda agitação das esquinas que passam rápido atrás dos vidros fechados de nossos carros na ida para o trabalho; Deus nos aconselha e fortalece na introspecção majestosa do mar que abraça a nossa cidade, a cidade de Oxóssi São Sebastião, e de que a janela da seção (da repartição, da loja, o que seja) onde trabalhamos tenta, mas não consegue nos separar. Deus nos dá conforto e esperança quando à noite, depois de o termos ouvido aqui e ali ao longo do dia, pousamos nossas cabeças em nossos travesseiros e nos despedimos dEle: “Boa noite, Pai; cuida de mim hoje e sempre”.

É possível ouvir Sua resposta: “Filho, terás ‘paz de criança dormindo‘”…

Amém!

Luciano Nascimento