Como é que se “tira o pé do chão”? * por Luciano Nascimento

Tira o pé do chão!!!

Poeeiraaaa! Poeeiraaaa!! Levantou poeira!!!

Vamo pulá! Vamo  pulá, vamo pulá, vamo pulá!!!

 

Em shows de pagode, de axé ou de bandas adolescentes as expressões acima são sucesso garantido; a resposta é imediata: todo mundo “tira o pé do chão“, pula, sorri, canta… a alegria contagia até a multidão parecer um único corpo, enlouquecido pelo prazer da música, pelo prazer de se sentir leve e se entregar ao ar sem pensar na existência da terra. Aí é que está: o prazer e a alegria são a recompensa imediata de quem cede a um apelo como “Vamo pulá!” sem preocupar com a queda.

E em geral não há mesmo com o que se preocupar. O chão está logo ali abaixo de cada pé e não costumam acontecer surpresas desagradáveis (considerando-se a quantidade desses eventos musicais que acontecem a toda hora, são pouquíssimos o casos de arquibancadas que desabam, terrenos que cedem ou coisas do tipo, que poderiam levar as pessoas a se machucarem). Trocando em miúdos, mais que plausível, é natural acreditar que a terra não vai desaparecer sob os pés de quem, confiando nela, “se joga” no ar.

Pois bem. Acho que a fé no mundo espiritual é algo mais ou menos comparável com a confiança de literalmente pular sem medo de o chão resolver pregar uma peça. Neste sentido, o “chão” da fé é a razão, e a razão sempre ampara a descida de quem se lança na fé.

Alguém agora poderia perguntar: “Sempre?!?!”…

Bem, é claro que aqui uma certa ponderação é necessária – até para não deixar a razão de lado.

Assim como há pulos de diferentes tamanhos (desde uma corriqueira descida do meio-fio até o salto de paraquedas ou o bungee jump), e assim como todos esses pulos pressupõem a confiança em que não há de faltar onde aterrissar em segurança, da mesma forma há diferentes tamanhos de fé, todas elas partindo do pressuposto de que a razão é o ponto de partida e de chegada.

Para exemplificar: quem acredita na existência de Deus exercita sua fé confiando na razão (no “pensamento” e na “lógica”) e nas razões (nos “motivos”, nas “causas”) que os livros sagrados e a própria natureza sinalizam. Por outro lado, quem não acredita na existência de Deus exercita sua descrença apostando suas fichas na razão (no “racionalismo”) e nas razões (nas “hipóteses prováveis”, “cartesianas”) das Ciências.

Noves-fora, parece que tanto crentes quanto descrentes praticam fés (diferentes, cada um a sua); mas todos, em diferentes medidas,  se apoiam numa mesma Razão, ou seja: no exercício do raciocínio.

O problema é que nem todo mundo sabe, pode ou quer pular; logo, por analogia, nem todo mundo quer, pode ou sabe praticar a fé. Tem gente que se sente bastante bem tentando manter os dois pés no chão o tempo todo, isto é, usando apenas a razão.

Surge então uma questão crucial: é possível ensinar alguém a literalmente saltar, mas será possível ensinar alguém a ter fé? Como fazer uma pessoa conseguir “sair do chão” firme da razão e se abandonar no espaço da crença num Deus que não se vê, se lançar ao ar também invisível da confiança num mundo espiritual que não se toca? Será que para alguém que não saiba, não possa ou não queira a fé é um salto impossível?

Quero acreditar (olha a minha fé aí, gente!!!) que não. Porque a humanidade sempre sonhou voar, sempre desejou alcançar o espaço. Nesse desejo todos os homens se igualam, nem que seja em sonho, dormindo. Foi “um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade”, e um pouco da “poeira” que o primeiro astronauta “levantou” na Lua deve pairar no Cosmos até hoje, livre da gravidade…

Se é assim, e é bem possível que seja, a quem ainda não quer, não sabe ou não consegue, resta tentar descobrir: afinal, como é que se “tira o pé do chão”?

Luciano Nascimento

Nanã força criadora * por Cesar Fortes

Nanã força criadora * por Cesar Fortes

SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê

Quando Pai Oxalá recebeu a ordem de Zambi para criar o mundo, entregou aos milhares de espíritos que o acompanhavam partes dessa tarefa.
No início o planeta era uma imensa bola de fogo girando no espaço. O vapor que subia, encontrando regiões mais frias, se condensava e caia sobre a Terra em forma de chuva.
Durante bilhões de anos, essa chuva caiu, seguida de raios e ventos terríveis que erodiam as rochas, transformando-as em terra produtiva. Os minerais liberados, envolvidos nas águas que formavam os rios, se acumularam nos mares.
Do contato entre a terra e a água surgem os pântanos e mangues, berçários da vida.
Essa energia criadora e transformadora é Nanã.
Nana é a vida que surge, se transmuta (morte??) e ressurge no caminho da evolução.
Nanã é a energia da chuva que faz brotar a vida na Terra.
Nanã é a energia dos pântanos, manguezais e do lodo, berçários da vida nas águas.
Nanã é a energia presente no nascimento e na morte.
Nanã é força transformadora.
Saluba, Nanã! Saluba, minha mãe!

 

SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê
SOU DE NANÃ Ê UÁ Ê UÁ Ê UÁ Ê …

Cesar Fortes