A Corrupção nos Outros * Roosevelt Andolphato Tiago

A Corrupção nos Outros * Roosevelt Andolphato Tiago

Quando avaliamos a situação geral do nosso país, ou talvez pudéssemos afirmar, do mundo, existe uma variação de opiniões entre as pessoas, uns dizem que o grande problema é a educação, outros a saúde, uns afirmam ser a violência e outros ainda que é a falta de emprego…

Porém, dentro de uma análise mais ampla e sem que cada um veja suas necessidades pessoais, na base de todos esses pontos de conflitos e misérias, estaria a corrupção, afinal é ela que consome os recursos da saúde, da educação, da violência, da segurança e por aí vai.

No entanto, fica fácil identificar a corrupção nos outros, principalmente na classe política, afinal, quanto mais poder, maior a capacidade de fazer o bem ou o mal.

Mas, se a corrupção é tão sistêmica e instalada em nossa cultura, chegando ao ponto de nos orgulharmos de “ser espertos”, não deve estar a corrupção apenas num determinado grupo ou partido.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, em Bem-aventurados os que são Brandos e Pacíficos, no capítulo Obediência e Resignação, lemos um registro que evidencia a idade desse problema moral, dizendo que: “Ele (Jesus) veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção”.

Assim, entendemos que a corrupção é um antigo desafeto da verdade e da paz, o que deve nos alertar para o fato de que devemos combatê-la, com muito mais ênfase e determinação.

Mas a questão capital é: antes de combatê-la nos outros, devemos eliminá-la em nós. Sem essa regra sendo respeitada, não existirá o fim para a corrupção, apenas cada um vai esconder a sua, para evidenciar a dos outros.

Quando o Evangelho fala sobre os “Falsos Profetas”, o que são eles senão corruptores da moral e da fé? Sempre a corrupção.

O caminho a seguir é o da eliminação total da corrupção em nós, não admitir o troco que veio a mais, não aceitar vantagens ou favores que não sejam legais, nem meios para conseguir nossos objetivos que não sejam morais.

Combater a corrupção é não vender ou trocar nosso voto, é não fazer algo ilegal, justificando que todos fazem, é não vender um produto e entregar outro ou adulterar as leis de trânsito ou de convivência.

Mesmo que nossas leis também sejam equivocadas, devemos utilizar dos meios possíveis para buscar a regularização, adequação ou moralização delas – a isso se chama progresso.

Ainda em O Evangelho segundo o Espiritismo, no Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão, lemos no item III: “Enquanto o nosso corpo e a alma se acharem mergulhados nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade”.

Enquanto que a corrupção é mantida pela ideia de que podemos fazer errado, porque todo mundo faz, a moral do Cristo nos ensina a fazer o que é certo, mesmo se ninguém o fizer.

Roosevelt Andolphato Tiago

OS TRÊS OBSESSORES

OS TRÊS OBSESSORES

Um homem chegou a um centro espírita muito desconfiado de que estava com vários obsessores. Ele contou sua história para o médium do centro. Revelou sua crença de que os obsessores haviam convencido sua esposa a terminar com ele. Revelou que os obsessores estavam travando sua vida e que ele não conseguia mais seguir em frente, pois estava sentindo muito medo. Revelou também que não queria mudar, pois sua vida estava confortável do jeito que estava, e que os obsessores estavam fazendo de tudo para desestabilizá-lo.

O médium resolveu iniciar os trabalhos. Fechou os olhos e ficou alguns minutos concentrado para fazer a desobsessão. Depois olhou para o homem e disse:

– De fato, há três obsessores com você, mas são muito poderosos e não posso tirá-los.

O homem ficou com medo e pensou que estava arruinado, pois se nem o médium conseguia tirá-los, sua vida seria arrasada pelos espíritos negativos. “Quem são esses obsessores?” perguntou o homem. O médium respondeu: – São três os seus obsessores:

– o primeiro obsessor é o apego. Sim, o apego que você tem em relação a sua esposa. Ela já terminou com você e mesmo assim você fica insistindo num casamento que já deu claros sinais de término. O apego é um grande obsessor, um dos maiores dos seres humanos. O segundo obsessor é o medo. Esse é um obsessor fortíssimo, pois paralisa nossa vida e não nos deixa caminhar. É outro grande obsessor do ser humano. O terceiro obsessor que está em você é a acomodação. Sim, a acomodação vem da preguiça ou de uma fuga dos problemas, e a acomodação nos faz estagnar, parar e até mesmo morrer por dentro. Uma pessoa acomodada costuma abdicar de suas forças para lutar e fica presa dentro do próprio conformismo que criou. Esses são os seus três obsessores. Eles não são espíritos e não havia nenhum desencarnado com você. Esses e outros obsessores vivem no coração do ser humano, e somente ele pode dissolvê-los para sempre. Se vier algum espírito sombrio, ele só poderá agir em você ativando alguns desses obsessores internos. Por isso que eu disse que nada posso fazer para removê-los, pois somente você é capaz de gerar essa transformação em si mesmo.

Quais são seus maiores obsessores? Não importa quais sejam. Você pode vencê-los através da libertação e do despertar espiritual.

Hugo Lapa

Aniversariantes de agosto

Aniversariantes de agosto

Salve os aniversariantes da vez!

Fabiana Bento (04), Charo (05), Mariana Agostinho (07), Alice Cunha e Diogo Agostinho (09), Carlos Roberto (10), Maurício Macedo (11), Glorinha Loureiro (15), Edna Sarres (18), Olanda Enne (23), Sonia Mello e Robson Barreto (28). Desejamos muita paz, amor e prosperidade.

26 de julho é dia de colo * por Luciano Nascimento

26 de julho é dia de colo * por Luciano Nascimento

Dia de colo

 “26 de julho é dia de Nanã“, orixá anciã, senhora da vida e da morte, que vibra na lama dos pântanos, dos manguezais e do fundo do mar. Ela é a “Grande Mãe”, o útero de onde viemos e para onde um dia retornaremos. No nosso país, Nanã foi sincretizada com Nossa Senhora de Sant’Ana, mãe de Maria e, portanto, avó de Jesus Cristo. Por isso, “26 de julho é dia de Nanã“, mas é também o “dia dos avós” (uma invenção recente, parece…).

E que figuras adoráveis são os avós, não é mesmo? Sorridentes, amáveis, carinhosos, sempre prontos para fazer mais um mimo, mais um agrado, um afago… Em geral é assim, eu acho. Há uns mais sérios, é verdade, mas acredito que esses sejam exceções. A regra, bastante polêmica, aliás, é: “pai e mãe têm que ensinar; avô e avó têm que estragar”.

A “regra” é, sim, “polêmica”, mas de sua existência ninguém duvida: tem muita gente por aí pensando e agindo assim. Por que será? Tenho uma hipótese e vou compartilhá-la. Antes, porém, tenho que fazer uma ressalva importante: aqui vai a minha, e só minha, opinião. Como não poderia deixar de ser, ela está fortemente ancorada nas minhas experiências de vida e na tremenda sorte que eu tive em relação aos meus avós. Por isso talvez o que eu diga a seguir não faça muito sentido para algumas pessoas que  lerão este texto. Lamento muito…

Voltando ao ponto: por que será que tem tanta gente que acredita que “avô e avó têm que estragar os netos” com mimos, agrados, afagos etc, etc??? Pode ser porque as pessoas em geral entendem que o amor dos avós é (em tese) mais livre do peso da responsabilidade com o sustento e a educação da criança. Uma vez liberto, esse amor se expande, toma conta da criatura (o avô/ a avó) e transborda, não se contém. É mesmo como o rompimento de uma represa: na condição de pais, o senso de responsabilidade acaba represando um pouco o tanto de amor que a pessoa, tornada avô/ avó, vai ser incapaz de conter em si mesma. Aí já viu: enxurrada certa.

Acho que esse “amor-de-enxurrada” se manifesta de duas maneiras bastante claras: uma é a generosidade (com suas várias feições possíveis, da permissividade nociva à grandeza austera de saber dizer “não” na hora certa); a outra é a esperança.

Tive a sorte de ter avós generosos. Ouso até dizer que na medida certa, porque permissivo nenhum deles jamais foi. Comemoraram meu nascimento, me fizeram dengos, foram às minhas festas na escola, procuraram saber sobre minhas notas, ouviram quietos as queixas dos meus pais quando fiz bobagens, me deram conselhos… Hoje nenhum deles está mais neste plano, mas Deus me deu a graça de poder acompanhar quase todos eles em seus momentos finais e, não só por isso, mas por isso também, acho que posso dizer que fui um bom neto. Só acho.

Porque certeza mesmo eu tenho é de que nenhum dos meus avós se preocupava com isso. Quero dizer, nenhum dos três (só conheci uma das minhas avós) tinha a mínima dúvida de que eu era um bom neto; isso era ponto pacífico. Mas na cabeça deles o buraco era muito mais embaixo: a esperança deles, firme e inabalável, era a de que eu, de que todos nós, seus netos, nos tornaríamos pessoas boas, homens e mulheres dignos, honestos, corretos. Como eles próprios, meus avós, foram durante toda a vida. Era essa esperança que os alimentava,  que justificava seus dias e enchia de brilho seus olhares a cada vitória de um de seus netos, por menor que fosse. Porque, para o avô/ a avó, ninguém é melhor, nem mais bonito, nem mais esperto, nem mais rápido, nem mais qualquer coisa (boa, claro!) que seu netinho/ sua netinha. Porque, para os próprios netos, os avós, em geral, são só generosidade e esperança. De novo: lamento muito por quem não vê/ sente sentido nisso tudo.

Nanã, Nossa Senhora de Sant’Ana… são expoentes desse amor-de-enxurrada das mães de nossas mães, nossas avós… Nelas, em Nanã e em Sant’Ana, a generosidade e a esperança são maiúsculas: são Indulgência e Fé. Indulgência é o amor que a tudo perdoa; Fé, é a esperança que, de tão concreta, virou certeza, realidade, fato consumado. Dia após dia, em cada pântano, em cada manguezal, no fundo de todos os mares do mundo, da lama de Nanã brota a vida, ressurge o alimento que a cópula das marés com a terra esconde das aves para dar aos peixes, depois às aves de novo, e aos peixes outra vez… Dia após dia, a cada “Ave Maria”, cristãos de muitas filiações louvam a mãe de Jesus e assim, quase sempre sem perceber, adoçam a boca de Sant’Ana, mãe de Nossa Senhora, e ela do céu sorri para o devoto de sua filha, para o irmão de seu neto, logo, neto dela também.

26 de julho é dia de Nanã“, é dia de louvarmos e agradecermos à Grande Mãe, aquela que nos deu a vida e, porque nos ama, sempre nos perdoa; aquela que, por confiar em nós, mesmo sabendo o quanto ainda somos pequenos e inacabados, o quanto ainda estamos presos ao lodo de uma existência escorregadia e cheia de armadilhas, ainda assim ela nos apoia, sorri para nós, nos estende os braços e, no momento final, nos acolhe.

26 de julho é dia de Nanã“. É dia de, com toda Fé, tirarmos os dois pés do chão, voltarmos a ser crianças, e nos abandonarmos de novo no uterino colo amoroso de nossa vovó.

Luciano Nascimento