O Natal de Jesus

O Natal de Jesus

 A Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno, diante dos nossos compromissos com o Tempo.
Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando-nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo.

A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade.

Não mais o estábulo simples, nosso pr6prio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz…
Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico

Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada, entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal.
E o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou.

E a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias.

É o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, através da visita aos irmãos mais sofredores do que nós mesmos e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do “amemo-nos uns aos outros”.

Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida.

O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo.

Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.

Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal.

O primeiro renova a alegria.

O segundo reforma a responsabilidade.

Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor.

Não nos esqueçamos.

Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós.

 Emmanuel

 

Ecos de William Shakespeare * por Luciano Nascimento

Ecos de William Shakespeare * por Luciano Nascimento

Há algumas semanas, conversando com uma das trabalhadoras de nossa casa (a D. Vera, que quem não conhece deveria conhecer), ouvi dela uma história muito interessante, que reproduzo a seguir:

“Um pequeno garoto e seu pai caminhavam pelas montanhas. De repente o garoto cai, se machuca e grita: ‘Aaai!’. Para sua surpresa, escuta sua voz se repetir em algum lugar da montanha: ‘Aaaaaaiiii!’. Curioso, pergunta: ‘Quem é você?’. Recebe como resposta: ‘Quem é vocêêêêê???’. Contrariado, grita: ‘Seu covarde!’. Escuta como resposta: ‘Seu covaaarrddeeee!’. Ele olha, então, para o pai e pergunta, aflito: ‘O que é isso?’. O pai sorri e fala: ‘Meu filho, preste atenção:’. Então o pai grita em direção à montanha: ‘Eu admiro você!’, e a voz responde: ‘Eu admiro vocêêêê!’. De novo o homem grita: ‘Você é um campeão!’, e a voz responde: ‘Você é um campeããããooo!’. O garoto fica espantado, sem entender nada. Então o pai explica: ‘As pessoas chamam isso de eco, nas, na verdade, isso é vida. Ela lhe dá de volta tudo o que você diz ou faz. Nossa vida é simplesmente o reflexo das nossas ações. Se você quer mais amor no mundo, crie mais amor no seu coração. Se você quer mais responsabilidade da sua equipe, desenvolva a sua responsabilidade. Se você quer mais tolerância das pessoas, seja mais tolerante com as pessoas. Se você quer mais alegria no mundo, seja mais alegre. Tanto no plano pessoal quanto no profissional, a vida sempre vai lhe dar de volta o que você deu a ela. Sua vida não é uma coincidência; ela é a consequência de você mesmo.'”

Muita coisa ficou “ecoando” na minha cabeça depois de ouvir essa história. Primeiro eu pensei no tanto que essa narrativa tem em comum com aquela que talvez seja a máxima mais famosa de são Francisco de Assis: “É dando que se recebe”. Depois pensei no quanto essa “historinha” se parece com o próprio mito da ninfa Eco, que, por ser muito habilidosa com as palavras e tê-las usado para enganar a deusa Hera, foi punida com a perda do discurso próprio, passando a apenas ser capaz de reproduzir o discurso das outras pessoas. Esse castigo fez com que Eco se desiludisse muito por não conseguir viver seu amor com Narciso – que era muito vaidoso e se sentiu ridicularizado pela bela ninfa que não o elogiava, só repetia o tempo todo os elogios feitos por ele a ela. Então, muito deprimida, Eco definhou e se encrostou nas pedras das montanhas onde vivia, e está nelas até hoje, triste, aprisionada e repetindo a voz de quem fala próximo aos paredões rochosos. Aí acho que comecei um looping: me vieram à mente Isaac Newton (e sua “Lei de ação e reação”) e Friedrich Nietzsche (com seu “eterno retorno”). Por fim lembrei de Renato Russo: “Quais são as palavras que nunca são ditas?”

Pois é… “A vida dá de volta tudo o que você diz ou faz“. Os gregos sabiam disso na Antiguidade Clássica; São Francisco de Assis ensinou isso na Idade Média; Newton descobriu, já na Idade Moderna, que, grosso modo, não é só o som que “ecoa”; Nietzsche, pouco depois, supôs que talvez a própria vida “ecoe” em si mesma; e d. Vera me fez pensar nisso tudo numa conversa de corredor em 2016. Parece que Renato Russo tinha razão…

Mas por quê? O que será que liga esses pontos tão distantes no tempo e no espaço? Se “a toda ação  corresponde uma reação igual e em sentido contrário” (a 3ª lei de Newton), era de fato natural que a deusa Hera, irritada, punisse a ninfa Eco; por ter doado todos os seus bens e passado a se dedicar apenas ao amor ao  próximo, o retorno esperado para Francisco era mesmo o reconhecimento e a gratidão (mesmo póstuma); se de tempos em tempos a humanidade comete os mesmos erros, é infelizmente lógico que de tempos em tempos todos nós passemos pelas mesmas dificuldades (guerras, grandes epidemias, catástrofes naturais etc) e tenhamos sempre que procurar reaprender algumas rotas já pisadas para evitar novos velhos prejuízos (e aí temos um pouquinho de Nietzsche).

Se há tanto tempo sabemos que é assim, por que será, então, que não entendemos de vez que estamos todos no mesmo barco e que a atitude de cada um de nós reflete no nosso próximo e retorna para nós mesmos? Por que é tão difícil “amar ao próximo como a si mesmo“, como Jesus Cristo ensinou?

Não sei. Mesmo. Mas sei que preciso continuar tentando entender isso tudo; preciso continuar tentando não mais esquecer que a 3ª lei de Newton, a lei da “ação e reação”, é um dado cientificamente comprovado. E sei também que tudo isso que vi e ouvi por aí ao longo dos últimos 42 anos voltou à minha cabeça logo depois da conversa com a d. Vera e está ecoando aqui dentro até agora.

Vai ver é porque, como o grande escritor inglês William Shakespeare disse (em Hamlet): “Há mais coisas entre o céu e a terra que supõe a nossa vã filosofia“.

Vai ver Shakespeare era “macumbeiro”…