Janeiro 2014

À LUZ DO EVANGELHO

“Eis aqui a serva do Senhor ”
Lucas 1,38

Quando João, o discípulo amado, veio ter com Maria, anunciando-lhe a detenção do Mestre, o coração materno, consternado, recolheu-se ao santuário da prece e rogou ao Senhor Supremo poupasse o filho querido.

Não era Jesus o Embaixador Divino? Não recebera a notificação dos anjos quanto à sua condição celeste? Seu filho amado nascera para a salvação dos oprimidos. Ilustraria o nome de Israel, seria o rei diferente, cheio de amoroso poder. Curava leprosos, levantava paralíticos sem esperança. A ressurreição de Lázaro, já sepultado, não bastaria para elevá-lo ao cume da glorificação?

E Maria confiou ao Deus de misericórdia suas preocupações e súplicas, esperando-lhe a providencia; entretanto, João voltou horas depois, para dizer-lhe que o Messias fora encarcerado.

A mãe Santíssima regressou à oração em silêncio. Em pranto, implorou o favor do Pai. Confiaria Nele.

Afastando-se da casa modesta a que se recolhera, ganhou a rua e intentou penetrar o cárcere; todavia, não conseguiu comover o coração dos guardas.

Mais tarde, João voltou, comunicando-lhe que o Mestre fora acusado pelos sacerdotes e que Pilatos o enviara à consideração de Herodes.

Maria não pode conter-se e seguiu-o de perto. Orando, multiplicou as rogativas ao Céu, em sua maternal aflição. Naturalmente, Deus modificaria os acontecimentos, tocando a alma de Antipas.

Amparada pela convertida de Magdala, alcançou as vizinhanças do palácio do tetrarca. Oh! Infinita amargura!

Jesus fora revestido com uma túnica de ironia e ostentava, nas mãos, uma cana suja à maneira de cetro e, como se isso não bastasse, fora também coroado de espinhos!

Em copioso pranto, viu seu filho vergado ao peso da cruz. Ele caminhava com dificuldade, corpo trêmulo pelas vergastadas recebidas e, obedecendo ao instinto natural, Maria avançou para oferecer-lhe auxílio. Contiveram-na, todavia, os soldados que rodeavam o Condenado Divino.

Angustiada, acreditou que o Deus Compassivo escutava-lhe as súplicas e reservava-lhe o júbilo de ver Jesus descer do Calvário, vitorioso, para o seu amor, continuando o seu apostolado da redenção; no entanto, dolorosamente surpreendida, viu-o içado no madeiro, entre ladrões.

Oh! A terrível angústia daquela hora! Por que não a ouvira o Poderoso Pai? Que fizera para não lhe merecer a benção?

Desalentada, ferida, ouvia a voz do filho, recomendando-a aos cuidados de João, o companheiro fiel. Mas, quando a cabeça sublime pendeu inerte, Maria recordou a visita do anjo, antes do Natal Divino. Em retrospecto maravilhoso, escutou-lhe a saudação celestial. Misteriosa força assenhoreava-se-lhe do espírito.

Sim... Jesus era seu filho, todavia, antes de tudo, era o Mensageiro de Deus. Ela possuía desejos humanos, mas o Supremo Senhor guardava eternos e insondáveis desígnios.

O carinho materno poderia sofrer, contudo, a Vontade Celeste regozijava-se. Poderia haver lágrimas em seus olhos, mas brilhariam festas de vitória no Reino de Deus. Suplicara aparentemente em vão, porquanto certo, o Todo Poderoso atendera-lhe os rogos não segundo os seus anseios de mãe e sim de acordo com os seus planos divinos!...

Foi então que Maria, compreendendo a perfeição, a misericórdia e justiça da Vontade do Pai, ajoelhou-se aos pés da cruz e, contemplando o filho morto, repetiu as inesquecíveis afirmações:

- Senhor, eis a tua serva! Cumpra-se em mim, segundo a tua palavra.

Do livro Lázaro redivivo

Tudo que realizes, faze-o com alegria. Coloca estrelas de esperança no céu de tua vida e alegra-te pela oportunidade evolutiva. A alegria que é resultado de uma conduta digna, é geradora de saúde e bem-estar. E toda alegria resulta de uma visão positiva da vida, que se enriquece de inestimáveis tesouros de paz interior. O teu amanhã será de luz se hoje semeares bom ânimo, o bem e a amizade.

Redação do Momento Espírita, com base em conto da *Gazeta cristã*, ano III, de novembro de 1999 e no cap. 40, do livro *Episódios diários,* pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Fevereiro 2014

À LUZ DO EVANGELHO

NOSSA CASA

“Se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus. Ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos.”
Tiago 1:5

Um velho carpinteiro estava em vias de se aposentar. Chegou ao seu superior e informou a decisão. Os anos lhe pesavam muito e ele desejava uma vida mais calma.

Queria descansar um pouco, estar mais com a família, despreocupar-se de horários, e rígidas disciplinas que o trabalho lhe impunha.

Porque fosse um excelente funcionário, seu chefe se entristeceu. Perderia um colaborador precioso. Como última tarefa, antes de deixar seu posto de tantos anos, o chefe lhe pediu que construísse uma casa. Era um favor especial que ele pedia.

O carpinteiro consentiu. À medida que as paredes iam subindo, as peças sendo delineadas, o acabamento sendo feito, podia-se perceber à distância que os pensamentos e o coração do servidor não estavam ali.

Ele não se empenhou no trabalho. Não se preocupou na seleção da matéria-prima, de forma que as portas, janelas e o teto apresentavam sérios defeitos. Como também não teve cuidado com a mão de obra, a casa tomou um aspecto lamentável. Foi uma maneira bem desagradável dele encerrar a sua carreira.

Surpresa maior foi quando o chefe veio inspecionar a obra terminada. Olhou e pareceu não ficar satisfeito. Aquele não era um trabalho do seu melhor carpinteiro. No entanto, tomou as chaves da casa e as entregou ao carpinteiro. Esta casa é sua. É meu presente para você, por tantos anos de dedicação em minha empresa.

Que choque! Que vergonha! Se ele soubesse que a casa seria sua, teria caprichado. Teria buscado os melhores materiais. O acabamento teria merecido atenção especial. Mas agora ele iria morar naquela casa tão mal feita.

Assim acontece conosco. Construímos nossas vidas de maneira distraída e descuidada.

Esquecemos de levantar paredes sólidas de afeto que nos garantirão o abrigo na hora da adversidade. Não providenciamos teto seguro de honradez para os dias do infortúnio.

Não nos preocupamos com detalhes pequenos como gentileza, delicadeza, atenções que demonstrem interesse para com os demais.

Pensemos em nós como um carpinteiro. Pensemos em nossa casa. Cada dia martelamos um prego novo, colocamos uma armação, estendemos vigas, levantamos paredes.

Construamos com sabedoria nossa vida. Porque a nossa vida de hoje é o resultado das nossas atitudes e escolhas feitas no ontem. Tanto quanto nossa vida do amanhã será o resultado das atitudes e escolhas que fizermos hoje.

E se nos sentirmos falharem as forças, recordemos a advertência que se encontra no capítulo primeiro da epístola de Tiago, versículo 5: “Se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus. Ele a dará porque é generoso e dá com bondade a todos.” Tudo que realizes, faze-o com alegria.

Coloca estrelas de esperança no céu de tua vida e alegra-te pela oportunidade evolutiva. A alegria que é resultado de uma conduta digna é geradora de saúde e bem-estar. E toda alegria resulta de uma visão positiva da vida, que se enriquece de inestimáveis tesouros de paz interior. O teu amanhã será de luz se hoje semeares bom ânimo, o bem e a amizade.

“A paz que você procura, muitas vezes, está no silêncio que você não faz.”

Abril 2014

À LUZ DO EVANGELHO

E OS FINS?

“Mas nem todas as coisas edificam.”
Paulo. 1ª Cor. 10:23

Sempre existiram homens indefiníveis que, se não fizeram mal a ninguém, igualmente não beneficiaram a pessoa alguma. Examinadas nesse mesmo prisma, as coisas do caminho precisam interpretação sensata, para que se não percam na inutilidade.

É lícito ao homem dedicar-se à literatura ou aos negócios honestos do mundo e ninguém poderá contestar o caráter louvável dos que escolhem conscientemente a linha de ação individual no serviço útil. Entretanto, será justo conhecer os fins daquele que escreve ou os propósitos de quem negocia.

De que valerá ao primeiro a produção de longas obras, cheias de lavores verbais e de arroubos teóricos, se as suas palavras permanecem vazias de pensamento construtivo para o plano eterno da alma?

Em que aproveitará ao comerciante a fortuna imensa, conquistada através da operosidade e do cálculo, quando vive estagnada nos cofres, aguardando os desvarios dos descendentes? Em ambas as situações, não se poderia dizer que tais homens cogitavam de realizações ilícitas; todavia, perderam tempo precioso, esquecendo que as menores coisas trazem finalidade edificante. EMMANUEL

O MÉDICO JESUS

“Receberemos, pela oração, o concurso espiritual, rogando a Jesus para que os nossos corações sejam fortificados no caminho de dor e luz em que nos encontramos”.

Muitas doenças poderiam ser evitadas se o Ser humano cultivasse o hábito da oração. O mesmo tempo que se emprega para queixa e a maledicência poderia ser dedicado ao contato com o Pai que nos ama, mas que, invariavelmente, encontra-nos com os ouvidos voltados para os desequilíbrios do mundo.

Quando se ora, muda-se a frequência energética para melhor, pois nos sintonizamos com as ondas do equilíbrio cósmico, sem as quais ser humano algum poderá gozar de saúde plena.

A oração é um banho de luz. Da mesma forma que cuidamos da higiene do corpo, sem a qual a saúde não se estabelece, a oração é uma ducha espiritual que nos lava dos detritos acumulados pelo entrechoque das tensões do dia-a-dia.

Jesus era um homem de oração, e mesmo até os dias de hoje podemos avaliar que Ele continua dialogando com o Pai através dos canais da prece. Segundo Jesus, o nosso modelo, por que não faríamos o mesmo? O fruto não amadurece quando se desprende prematuramente da árvore que lhe sustenta os nutrientes. O peixe não consegue viver fora de seu ambiente natural.

Da mesma forma, a criatura não conseguirá viver feliz e ter saúde longe do amor de Deus. A oração é, ao lado da caridade, o fio que nos liga ao Amor Divino pelas palavras que brotam do nosso coração. Na maioria das vezes, não é a doença que nos martiriza, é a preocupação com a doença que nos deixa mais doentes ainda.

A prece é o canal do socorro divino. Quando se ora, os remédios da coragem e da esperança nos são diretamente ministrados da farmácia de Deus.

Maio 2014

À LUZ DO EVANGELHO

“Em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.”
Mateus, 17:14-20

O exemplo que Jesus usa – o grão de mostarda, que é o menor grão que existe, significa que não é necessária uma fé muito grande para transportar uma montanha.

As montanhas de que Jesus fala aos discípulos são as dificuldades, as tribulações que todos nós suportamos, independentemente da nossa posição social.

A fé de que Jesus nos fala é a capacidade de vencer os obstáculos, as dificuldades; é a fé robusta, que nos dá a perseverança e a energia para seguir em frente em direção de nossos objetivos, sejam eles quais forem não importa o tempo que levar. Nessa época, os discípulos ainda não acreditavam em si mesmos, por isso não puderam curar o menino lunático.

O mesmo acontece conosco; muitas vezes duvidamos de nós mesmos e de que somos assistidos por Deus, porque a fé ainda não se consolidou dentro de nós. Para que a fé crie raízes é preciso muito trabalho; precisamos regar a semente da fé todos os dias, para que ela cresça forte, através da prática do bem e das leis de Amor preconizadas por Jesus.

Quando temos fé, somos capazes de suportar os preconceitos, o egoísmo, as dificuldades; e o fanatismo, que leva à fé cega.

Conta-se que: “Uma vez um homem estava sendo perseguido por vários malfeitores que queriam matá-lo. O homem, correndo, virou em um atalho que saía da estrada e entrava pelo meio do mato e, no desespero, elevou uma oração a Deus da seguinte maneira:

- Deus Todo Poderoso, fazei com que dois anjos venham do céu e tapem a entrada da trilha para que os bandidos não me matem!

Nesse momento escutou que os homens se aproximavam da trilha onde ele se escondia e viu que na entrada da trilha apareceu uma minúscula aranha.

A aranha começou a tecer uma teia na entrada da trilha.

- Senhor, eu vos pedi anjos, não uma aranha. Senhor, por favor, com tua mão poderosa coloca um muro forte na entrada desta trilha, para que os homens não possam entrar e me matar...

Então ele abriu os olhos esperando ver um muro tapando a entrada e viu apenas a aranha tecendo a teia. Os malfeitores estavam entrando na trilha, na qual ele se encontrava, e ele estava esperando apenas a morte. Quando passaram em frente da trilha o homem escutou:

- Vamos, entremos nesta trilha.

- Não, não está vendo que tem até teia de aranha? Nada entrou por aqui. Continuemos procurando nas próximas trilhas.

Fé é crer no que não se vê, é perseverar diante do impossível. Às vezes pedimos muros para estarmos seguros, mas Ele nos surpreende enviando uma aranha tecendo sua teia, que nos dá a mesma proteção de uma muralha. Nunca desanime em meio às lutas, siga em frente, pois são nos momentos mais difíceis que encontramos em Deus a nossa força.

Trechos escritos por Anne Marie Lanatois


O Velho Serapião

Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira-lata que atendia pelo nome de Malhado.

Serapião não pedia dinheiro. Era conhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que Deus determinava alguém lhe estendia uma porção de alimentos. Tudo que ganhava, dava primeiro para o Malhado, que, paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco. Não tinha onde dormir, onde anoiteciam, lá dormiam.

Certo dia, perguntei: - Serapião, você tem algum desejo na vida?

- Sim, respondeu ele – tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.

- Só isso? Indaguei.

- É, no momento é só isso que eu desejo.

Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lhe entreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado, e comeu o pão com os temperos.

Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço, não contive e perguntei intrigado:

- Por que você deu para o Malhado, logo a salsicha?

Ele com a boca cheia respondeu: - Para o melhor amigo, o melhor pedaço! E continuou comendo, alegre e satisfeito.

Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado e sai pensando. Aprendi como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiar. Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação de ser reconhecido como tal. Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita:

“Para o melhor amigo o melhor pedaço”


VALEI-ME, MINHA SANTA TEREZA, ME VALEI, MINHA SANTA ISABEL.
ME VALEI, MEU ANJO DA GUARDA. AI, MEU DEUS, ME VALEI, MEU SÃO GABRIEL.


Pai joão me contou que, quando vivia na Bahia após a sua reencarnação nas fazendas pernambucanas tinha um gosto particular por certa canção cuja letra falava de diversos santos, e que o acompanhavs nos momentos graves e de dificuldades. Perguntei a ele porque evocar santos e anjos, ligando-se a uma tradição bem católica, e ele me respondeu:

- Meu filho, na hora do sofrimento não tem lugar para orgulho, não. A gente pede a todo o mundo mesmo. São tantos santos e anjos inventadod pelos padres... E, se de repente algum deles estiver desatento e um outro falhe, sempre tem mais um! A gente grita por tudo que é santo e ainda arranja mais alguns.

Complementava: No Brasil, meu filho, a gente vê um povo de fé e coragem diante do sofrimento. Domingo, todo mundo vai à missa. À noite, à igreja evangélica, clamar pelo sangue de Jesus. Mais tarde, lá estão as mesmas pessoas no centro espírita, tomando o passe e a água fluidificada, atentas às palestras. Mas isso tudo, meu filho, é antes da dificuldade apertar mesmo. Nessa hora, até os mais ortodoxos recorrem aos pais-velhos.

Quanto dirigente de centro espírita há que não admite pai-velho trabalhando e muitas vezes critica os pretos-velhos... Na hora grave, se ajoelha aos pés de um médium num terreiro qualquer. Abate seu orgulho, engole as pretensões e pede ajuda a nego-velho. Esse é o retrato da terra brasileira, meu filho, terra boa, fraterna e amiga. Quando fica difícil, cada um sai pedindo a um santo. Vai que ele atende, não é, meu filho? Ninguém vai reclamar...

Pai João de Aruanda


“As pessoas são pesadas demais para serem levadas nos ombros. Leve-as no coração.”

Junho 2014

MELHORIA INTERIOR E CORPO FECHADO

“Quando alguém não vos queira receber, nem escutar, sacudi, ao sairdes dessa casa ou cidade, a poeira dos vossos pés.”
Jesus (S. Mateus, cap. X, vv. 9)

Tem muitos fios que têm gosto pela defesa contra as magias e feitiçarias. Se faz bem pros fios o patuá, a imagem do santo, a vela bendita, as erva de proteção, o sal de limpeza, o incenso que purifica, por que não usar, não é mesmo muzanfio? Mal não vai fazer, apenas o bem.

Aprender também a se proteger energeticamente ou a fechar o corpo com as próprias forças faz parte do caminho de crescimento espiritual.

O patuá pode concentrar energia de proteção e exalar uma aura de defesa, mas o 'patuá do sentimento educado', além de fechar o corpo, abre a alma para o amor e para a construção do bem nas energias da natureza.

A imagem pode dar a sensação de amparo, porém o sentimento que mais nos faz sentir a presença divina é a fé, que edifica o campo mental acolhedor para sentir que não estamos abandonados por Deus.

A vela, que irradia a luz, pode acender a esperança de dias melhores, todavia, a força da oração é capaz de iluminar a mente para que o otimismo cure nossa ausência de sentido para viver.

A erva pode limpar, sim, a inveja e a perturbação destruidora, entretanto, não existe melhor higiene para os corpos sutis que a aplicação diária da irradiação da alegria e do bom humor.

O sal grosso elimina os tóxicos que carregam a aura e infestam o duplo etérico de resíduos venenosos e densos, contudo, o sol irradiante do desabafo sincero e da terapia do companheirismo podem anular quaisquer malefícios que tendem a se multiplicar nas esferas energéticas de nossa alma.

O incenso pode purificar ambientes contaminados. Melhor será quando não o impregnarmos com a maledicência e os hábitos malsãos.

Não se enganem, fios de Deus! A vida que temos é fruto do trabalho que realizamos. Seria muito contraditório com a lei de Deus se pequenas magias de proteção nos livrassem completamente do mal que nós mesmos criamos.

Elas colaboram enquanto não desenvolvemos forças pessoais ou em ocasiões de maior fragilidade das dores da vida.

Proteção energética não tem fórmula, e cada um responderá por suas próprias criações perante a vida, recebendo o mal ou o bem em conformidade com aquilo que é fruto das suas mais profundas intenções.

Fechar o corpo exige um trabalho árduo de melhoria interior.

Jesus recomendou técnicas fortes de defesa no bem. Pra nego véio, a mais linda resume-se em:

“Quando alguém não vos queira receber nem escutar, sacudi, ao sairdes dessa casa ou cidade, a poeira de vossos pés.”

Pai João de Angola


A MALA DE VIAGEM

Conta-se uma fábula sobre um homem que caminhava vacilante pela estrada, levando uma pedra numa mão e um tijolo na outra. Nas costas carregava um saco de terra; em volta do peito trazia vinhas penduradas. Sobre a cabeça equilibrava uma abóbora pesada.

Pelo caminho encontrou um transeunte que lhe perguntou:

- Cansado viajante, por que carrega essa pedra tão grande?

- É estranho, respondeu o viajante, mas eu nunca tinha realmente notado que a carregava.

Então, ele jogou a pedra fora e se sentiu muito melhor.

Em seguida veio outro transeunte que lhe perguntou:

- Diga-me, cansado viajante, por que carrega essa abóbora tão pesada?

- Estou contente que me tenha feito essa pergunta, disse o viajante, porque eu não tinha percebido o que estava fazendo comigo mesmo.

Então ele jogou a abóbora fora e continuou seu caminho com passos muito mais leves. Um por um, os transeuntes foram avisando-o a respeito de suas cargas desnecessárias. E ele foi abandonando uma a uma.

Por fim, tornou-se um homem livre e caminhou como tal.

Qual era na verdade o problema dele?

A pedra e a abóbora? Não!

Era a falta de consciência da existência delas. Uma vez que as viu como cargas desnecessárias, livrou-se delas bem depressa e já não se sentia mais tão cansado. Esse é o problema de muitas pessoas. Elas estão carregando cargas sem perceber. Não é de se estranhar que estejam tão cansadas!

O que são algumas dessas cargas que pesam na mente de um homem e que roubam as suas energias?

- Pensamentos negativos.

- Culpar e acusar outras pessoas.

- Permitir que impressões tenebrosas descansem na mente.

- Carregar uma falsa carga de culpa por coisas que não poderiam ser evitadas.

- Autopiedade.

- Acreditar que não existe saída.

Todo mundo tem o seu tipo de carga especial, que rouba energia. Quanto mais cedo começarmos a descarregá-la, mais cedo nos sentiremos melhor e caminharemos mais levemente.


Julho 2014

TENHAMOS FÉ

”... vou preparar-vos lugar.”
Jesus (João, 14:2)

Sabia o Mestre que, até à construção do Reino Divino na Terra, quantos o acompanhassem viveriam na condição de desajustados, trabalhando no progresso de todas as criaturas, todavia, “sem lugar” adequado aos sublimes ideais que entesouram.

Efetivamente, o cristão leal, em toda parte, raramente recebe o respeito que lhe é devido, por destoar, quase sempre, da coletividade, ainda não completamente cristianizada, sofre a descaridosa opinião de muitos.

Se exercita a humildade, é tido à conta de covarde.
Se adota a vida simples, é acusado pelo delito de relaxamento.
Se busca ser bondoso, é categorizado por tolo.
Se administra dignamente, é julgado orgulhoso.
Se obedece quanto é justo, é considerado servil.
Se usa a tolerância, é visto por incompetente.
Se mobiliza a energia, é conhecido por cruel.
Se trabalha, devotado, é interpretado por vaidoso.
Se procura melhorar-se, assumindo responsabilidades no esforço intensivo das boas obras ou das preleções consoladoras, é indicado por fingido.
Se tenta ajudar ao próximo, abeirando-se da multidão, com os seus gestos de bondade espontânea, muitas vezes é tachado de personalista e oportunista, atento aos interesses próprios.

Apesar de semelhantes conflitos, porém, prossigamos agindo e servindo, em nome do Senhor, reconhecendo que o domicílio de seus seguidores não se ergue sobre o chão do mundo, prometeu Jesus que lhes prepararia lugar na vida mais alta.

Continuemos, pois, trabalhando com duplicado fervor na sementeira do bem, à maneira de servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro lar.

“Há muitas moradas na Casa do Pai.”

E o Cristo segue servindo, adiante de nós.

Tenhamos fé.

Emmanuel


A memória é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos... Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos, dentro de nós mesmos.

André Luis


O PASSE NA UMBANDA

O passe é utilizado nos centros espíritas e umbandistas para o alívio dos sofrimentos físicos e emocionais das pessoas que recorrem a essas casas. É capaz de curar doenças, reequilibrar energeticamente o corpo físico e espiritual, e afastar espíritos obsessores dos encarnados. Para que isso aconteça, é preciso que haja fé do médium passista e da pessoa que receberá o passe.

O “paciente assistido” deve permanecer em sintonia com a espiritualidade presente, em constante concentração e prece, mantendo bons pensamentos e vibrações.

Há três tipos específicos de passe: o Passe Magnético, quando aplicado pelo indivíduo encarnado; o Passe Espiritual, realizado pela ação dos espíritos desencarnados; e o Passe Misto, onde os fluidos do médium se misturam com os da Espiritualidade. Essa última modalidade é a mais utilizada nos terreiros de Umbanda, onde os médiuns atuam incorporados com seus Caboclos, Pretos Velhos, Ibejadas e outras entidades para trabalhar no passe. Dessa forma, a energia da entidade, em sintonia com a energia do médium, atuam juntas na corrente que é transmitida para o irmão ajudado.

Um fator característico do passe na Umbanda é que, na maioria dos terreiros, as entidades utilizam de outros elementos magísticos que auxiliam na aplicação do passe. É o caso, por exemplo, de vermos alguns Caboclos que fumam charutos, Pretos Velhos com seus cachimbos, Ibejadas com doces, etc.

Porém, nada disso é à toa. A entidade não chega simplesmente para fumar o charuto, ou o cachimbo. O fumo tem um elemento mágico que atua no etéreo e elimina larvas astrais que servem de parasitas espirituais no irmão necessitado de ajuda.

Normalmente, dentro de um terreiro bem assistido espiritualmente, o assistente fica na esfera fluídica da Casa, guardado por seus sentinelas e sob as suas firmezas. Mas, para ser bem sucedido, o passe depende muito, também, da pessoa que está recebendo as vibrações. O assistente deve fazer a sua parte, mantendo-se sempre em boa sintonia com o terreiro, buscando estar em prece, mantendo bons pensamentos, e acima de tudo, não deve pensar que o passe será a solução imediata para todos os seus problemas.

Os cuidados são necessários, tanto da parte do médium quanto do assistente. O médium precisa manter uma boa relação com as suas entidades, e compreender delas a necessidade de seus elementos magísticos na aplicação do passe, se necessário.


EXU TRANCA RUA

É o primeiro general do senhor Exu-mor, exercendo a mesma posição do Exu Marabô, com a mais alta responsabilidade no reino dos exus. A ele está designada a guarda das entradas e dos recintos onde se pratica a alta magia.

Em todas as reuniões espirituais, o Exu Tranca-Rua mantém proteção com a sua guarda de choque, contra os inimigos espirituais que procuram deturpar o bom andamento dos trabalhos.

Assim sendo, sentimo-nos na obrigação de saudar esta ancestralidade em primeiro plano, ao darmos inícios aos trabalhos para que o ambiente sinta sua proteção. É o guardião dos caminhos, vencedor de demandas, aparador dos homens, lutador incansável, sempre de frente, sem medo, sem mandar recado.

Senhor Tranca Rua das Almas é um espírito muito doutrinado, atuando dentro de seus mistérios, regendo seus domínios e os caminhos por onde percorre a humanidade. Senhor do mundo espiritual, onde está sua origem e sua morada.

Suas bebidas: cachaça, whisky, conhaque.

Galo pode ser vermelho, preto.

Falange: Exu Tranca-Rua das Almas; Exu Tranca-Ruas do Cruzeiro; Exu Tranca-Rua de Embaré; Exu Tranca-Rua da Encruzilhada; Exu Tranca-Rua Sete Giras; Exu Tranca-Rua da Calunga; Exu Tranca-Rua da Porteira.

Laroiê Exu! Exu mojubá!
Laroiê Exu! = Mensageiro, Exu!
Exu é Mojubá = Exu a vós, meus respeitos.


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