Sessenta Anos de Mediunidade

20 de janeiro de 2014

Eu hoje estou aqui somente para agradecer a Deus, aos nossos Orixás e também a vocês que me acompanham por todos esses anos.

Desejo que vocês melhorem cada vez mais e que sigam a Umbanda com o mesmo amor e carinho que eu tive até agora. O que é construído com corrente, com amor nunca se acaba.

Ainda hoje tremo diante da responsabilidade que assumi com os Guias e com as pessoas. Não posso desejar o mal a ninguém, ferir as pessoas. Eu assumi uma chefia para fazer a caridade a todos que baterem à minha porta. Não estou aqui para me envaidecer, para enriquecer, tenho muito amor pela minha casa e pelos guias. Aqui se trabalha muito pela caridade!

Eu quero que vocês entendam que quando eu falo: “Não faça isso. Não diz isso.” É para o bem do médium. Quando chamar a atenção, perguntar com quem ele aprendeu a fazer determinada coisa é porque estou tentando ajudá-lo. Um pequeno erro do médium, amanhã vai refletir na casa, em mim. Tenho que ficar atento, corrigindo pelo bem do médium e da casa. Aqui não se aprende nada de errado.

Os aborrecimentos numa casa espiritual são grandes demais, são constantes, mas o chefe não pode ficar no meio dessas coisas. Ele tem que correr em cima dos problemas, mostrar e agir na hora certa.

O maior ritual dentro da Umbanda é a humildade, o amor e a fé. Se não houver isso, não se constrói nada, porque Deus é amor. Ele está presente em tudo que faço.

Nunca carreguei comigo uma guia, um patuá para proteção. Eu carrego Deus dentro de mim, essa é a minha maior proteção. Deus é maior que tudo, e acredito Nele.

Essa casa tem uma raiz e ela não pode apodrecer, não pode acabar, não pode sequer enfraquecer. Temos que deixá-la sempre viva, porque é ela que sustenta essa casa, que sustenta todos nós. Toda casa espiritual tem que ter uma raiz bem plantada, bem segura.

Eu faço o que o Guia manda. Se tiver que colocar uma flor ali, eu ponho. Se mandar acender uma vela, eu acendo, mas se não mandar, eu não faço nada.

Todo mundo tem que agradecer a Deus o dia de vida que nos foi dado. Esteja vivendo momentos bons ou ruins. Há momentos ruins que ensinam mais que os momentos bons. Nós aprendemos mais levando um tropeção do que ganhando um abraço ou um beijo.

Faço um pedido a todos: Não queiram ser os maiores médiuns. Não deixem a vaidade subir à cabeça. Lembrem-se que em nosso caminho há flores, espinhos e pedras. A vida de todos é de altos e baixos. Um dia, estamos em cima, em outro, estamos embaixo.

Esqueçam a vaidade, vamos ser humildes, ter amor e fé. A Umbanda precisa de médiuns com amor, de cabeça firme, de gente correta para fazer esse mundo crescer. É com as nossas preces e a força dos Orixás que o mundo vai melhorar.

O nosso Rio de Janeiro foi entregue a Oxossi que está presente na natureza, nas árvores, nas flores e nos frutos. Vamos homenageá-lo com muita vontade. Que Deus ilumine todos vocês.

Muito obrigado. Paz para todos.

Indelécio dos Santos

A CURIMBA

O termo "Curimba" define o grupo de pessoas que louvam os Orixás na Umbanda e Candomblé, através do canto e percussão de atabaque e/ou tumbadora. O termo curimbeiro(a) é dirigido a uma pessoa só, tem o significado de cantor(a) do ritual, e o termo Ogan é aquele que apenas percussiona.

Na Umbanda o termo Ogan não é utilizado e é trocado pelo termo curimbeiro que, independente se toca e canta ou os faz separadamente, é denominado assim. Por quê? Porquê quando Zélio Fernandino de Morais fundou a Umbanda, não se usava o atabaque, eram usadas apenas as palmas e o canto. Dadas as circustâncias, com o crescimento de Templos de Umbanda, comumente haveria pessoas que se encarregariam apenas desta parte (de canto) e como já citado acima, tais pessoas são chamadas de curimbeiras. O atabaque só veio tempos depois com a influência de outros rituais candomblecistas, mas como o termo curimbeiro(a) já havia se fixado, o atabaque não forçou o termo à tornar-se curimbeiro-atabaqueiro.

OS PAIS SÃO RESPONSÁVEIS PELO DESENVOLVIMENTO DOS VALORES MORAIS DOS FILHOS

Toda e qualquer violência doméstica é trágica sob qualquer análise. As relações entre filhos e pais deveriam ser, acima de tudo, de ordem ética. Mas, observa-se nessa relação uma deterioração emocional profunda e uma complexa malha de desestabilidades morais, que merece comentários. Os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo amando-os, independentemente de como se situam na escala evolutiva.

Sabe-se que os jovens hostis e violentos são pouco amados pelos pais, sentem-se deslocados no grupo familiar ou se consideram pouco atraentes etc. Por estas e muitas outras razões, os pais devem transmitir segurança aos filhos através do afeto e do carinho constantes. Afinal, todo ser humano necessita ser amado, gostado, mesmo tendo consciência de seus defeitos, dificuldades e de suas reais diferenças. Os pais são responsáveis pelo desenvolvimento dos valores dos filhos e não devem apostar na escola para exercer essa tarefa. Um pai legítimo é aquele que cultiva em casa a cidadania familiar. Ou seja, ninguém em casa pode fazer aquilo que não se pode fazer na sociedade. É preciso impor a obrigação de que o filho faça isso, assim, cria-se a noção de que ele tem que participar da vida comunitária. Não há dúvida que, ante as balizas do bom senso e moderação, os pais precisam estabelecer limites. Porém essa exigência é muito mais acompanhar os limites daquilo que o filho é capaz de fazer.

A fase infantil, em sua primeira etapa, é a mais importante para a educação, e não podemos relaxar na orientação dos filhos, nas grandes revelações da vida. Sob nenhuma hipótese, essa primeira etapa reencarnatória deve ser enfrentada com insensibilidade. Até aproximadamente os sete anos de idade é o período infantil mais acessível às impressões que recebe dos pais, razão pela qual não podemos esquecer nosso dever de orientar os filhos quanto aos conteúdos morais. “O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos (...), pois o menino livre é a semente do celerado.”

Se não observarmos essas regras, permitimos acender para o faltoso de ontem a mesma chama dos excessos de todos os matizes, que acarretam o extermínio e o delito. “Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas sim para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.”.

Principalmente a mãe deve ser o padrão de todas as renúncias pela serenidade familiar. Deve compreender que seus filhos, primeiramente, são filhos de Deus. “Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando seja necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das tendências e a diversidade dos temperamentos.”

A mãe “não deve dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do mundo. Na hipótese de fracassarem todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas entregar o fruto de seus labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e abençoará as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.”

Os filhos difíceis são reflexos de nossas próprias ações, no passado, cuja Benevolência de Deus, hoje, outorga a possibilidade de se unir a nós pelos laços da consanguinidade, dando-nos a estupenda chance de resgate, reparação e os serviços árduos da educação. “Dessa forma, diante dos filhos insurgentes e indisciplináveis, impenetráveis a todos os processos educativos, “os pais depois de movimentar todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação deles, é justo que esperem a manifestação da Providência Divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes, com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.”

Esgotados todos os recursos a bem dos filhos e depois da prática sincera de todos os processos amorosos e enérgicos pela sua formação espiritual, sem êxito algum, os pais “devem entregá-los a Deus, de modo que sejam naturalmente trabalhados pelos processos tristes e violentos da educação do mundo. A dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos, onde a linfa do amor não conseguiu brotar, não obstante o serviço inestimável do afeto paternal, humano. Eis a razão pela qual, em certas circunstâncias da vida, faz-se mister que os pais estejam revestidos de suprema resignação, reconhecendo no sofrimento que persegue os filhos a manifestação de uma bondade superior, cujo buril oculto, constituído por sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.”

AS NOSSAS BAGAGENS

Quando sua vida começa, você tem apenas uma mala pequenina de mão. À medida que os anos vão passando, a bagagem vai aumentando porque existem muitas coisas que você recolhe pelo caminho, porque pensa que são importantes.

Em um determinado ponto do caminho, começa a ficar insuportável carregar tantas coisas, pesa demais, então você pode escolher ficar sentado à beira do caminho, esperando que alguém o ajude, o que é difícil, pois todos que passarem por ali já terão sua própria bagagem.

A fase infantil, em sua primeira etapa, é a mais importante para a educação, e não podemos relaxar na orientação dos filhos, nas grandes revelações da vida. Sob nenhuma hipótese, essa primeira etapa reencarnatória deve ser enfrentada com insensibilidade. Até aproximadamente os sete anos de idade é o período infantil mais acessível às impressões que recebe dos pais, razão pela qual não podemos esquecer nosso dever de orientar os filhos quanto aos conteúdos morais. “O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos (...), pois o menino livre é a semente do celerado.”

Você pode ficar a vida inteira esperando, até que seus dias acabem, ou você pode aliviar o peso, esvaziar a mala. Mas, o que tirar? Você começa tirando tudo para fora. Veja o que tem dentro: Amor, Amizade… Nossa! Tem bastante! Curioso, não pesa nada… Tem algo pesado… Você faz força para tirar… Era a Raiva – como ela pesa! Aí você começa a tirar, tirar e aparece a Incompreensão, Medo, Pessimismo. Nesse momento, o Desânimo quase te puxa pra dentro da mala. Mas você o puxa para fora com toda a força, e no fundo da mala aparece um Sorriso, que estava sufocado no fundo da sua bagagem. Pula para fora outro sorriso e mais outro, e aí sai a Felicidade! Aí você coloca as mãos dentro da mala de novo e tira pra fora a Tristeza. Agora, você vai ter que procurar a Paciência dentro da mala, pois vai precisar bastante. Procure então o resto, a Força, Esperança, Coragem, Entusiasmo, Equilíbrio, Responsabilidade, Tolerância o Bom e Velho Humor. Tire a Preocupação também. Deixe-a de lado, depois você pensa o que fazer com ela.

Bem, sua bagagem está pronta para ser arrumada de novo. Mas, pense bem o que vai colocar lá dentro de novo, hein! Agora é com você. E não se esqueça de fazer isso mais vezes, pois o caminho é MUITO, MUITO LONGO…

Amados, então chegou a hora; não desistam da felicidade verdadeira. E sabe qual é? Haaa! Bagagem agora novinha, levinha em Jesus. É em Jesus que está a nossa felicidade. Corra atrás dela, digo, Dele... dela... Enfim, felicidade e Jesus são um só. Seja feliz!

SALVE SÃO JORGE – OGUNHÊ, MEU PAI OGUM!

Jorge nasceu na antiga Capadócia no ano de 275, na região que, atualmente, faz parte da República da Turquia. Após o desencarne de seu pai durante uma batalha, mudou-se com sua mãe para a Palestina de onde ela era originária. Educado com grande esmero, pois sua família possuía muitos bens, Jorge ao atingir a adolescência, seguiu a carreira militar. Devido a sua dedicação e habilidade, logo foi promovido a capitão do exército romano. Possuidor de uma índole destemida levantou-se em defesa dos cristãos, durante uma reunião do Senado romano, declarando-se também cristão.

Mantendo-se fiel ao Cristianismo, foi morto no dia 23 de abril de 303, depois de muitas torturas. São Jorge foi sincretizado na nossa Umbanda com o Orixá Ogum, senhor do ferro e do fogo. Representa uma das forças da natureza oriundas de Deus, manifestando-se em forma de energia ligada à perseverança e à coragem de vencer demanda. Sua força atua em defesa de toda a natureza. Sua vibração está em todos os lugares. Atua em todos os elementos naturais: ar, fogo, terra e água, atuando assim, em conjunto com todos os Orixás: Omulu, Oxum, Iansã, Iemanjá, Xangô e Oxossi. Assim temos as falanges de Ogum Megê, Iara, Beira-Mar, De Lei, Rompe-Mato, etc.

É o responsável pela manutenção da lei na Umbanda. Seus guerreiros são imbatíveis no combate ao mal, não havendo rabo de encruza, quiumba ou qualquer outro espírito maligno que não o respeite. Suas falanges ajudam a combater as demandas diárias, as lutas pessoais, as perseguições insensatas que às vezes o filho sofre. Protegem do ataque das sombras quando o filho quer evoluir, quando tenta superar as fraquezas. A força de Ogum dá firmeza e perseverança no ataque das sombras, não deixando o filho se abater e desistir da luta. Se o filho cai, Ogum o levanta.

A espada, o escudo e a lança representam sua força, e o ferro que simboliza Ogum corta o mal e vence demanda de todos que a ele recorrem pedindo sua proteção. Ogum é o senhor das estradas, dos caminhos que o filho trilha quando está reencarnado. Mas Ogum também tem o domínio do caminho entre os Mundos, e a ele lhe prestam respeito todos os Exus. Se Exu abre os caminhos, o faz em nome de Ogum, que estabelece a ligação entre os diferentes locais, determinando a atuação de Exu. Esses guardiões executam a Lei em todos os planos e em qualquer lugar sob a ordem desse poderoso Orixá.

OBEDIÊNCIA ÀS LEIS

Na esteira do progresso por onde todos passamos, temos vivenciado variadas experiências no campo da educação. Desde tempos imemoriais, a Humanidade tem-se deparado com leis que devem ser respeitadas para o bem comum. No entanto, confundindo as leis com a autoridade, na ausência desta, as burlamos com naturalidade. Dessa forma, conhecemos as leis, mas se não nos depararmos com a autoridade, e nos convém, damos um jeitinho de burlá-las.

Um exemplo disso é quando estamos no trânsito, diante de um sinal vermelho. Damos uma olhadinha para um lado... para o outro... não vemos o guarda, então avançamos o sinal. E temos uma justificativa: estamos com pressa. O guarda, nesse caso, seria a autoridade. Na ausência dele, nós infringimos uma lei de trânsito.

Outro exemplo bem conhecido ocorre no ambiente profissional. Quando o chefe não está por perto, o comportamento de grande parte dos funcionários é bem diverso daquele expressado na sua presença. Se atentarmos para as atitudes de alguns pais, encontraremos a base dessas distorções no comportamento das crianças, dos jovens, e dos adultos.

A educação é transmitida de forma que sempre temos que temer algo ou alguém, e não respeitar a nossa própria consciência. Quando um dos filhos pega alguma coisa que pertence ao irmão, os pais imediatamente alertam: Não faças isso porque o teu irmão não vai gostar. Se estiver no supermercado, e a criança toma uma guloseima qualquer para comer, os pais imediatamente intervêm: Não comas isso senão o guarda te prenderá. Quando o jovem vai dirigir o automóvel, a recomendação é que ele não fure o sinal senão o guarda o multará.

Não é de se espantar quando vemos o motoqueiro com o capacete no braço. É que ele aprendeu que só deve se preocupar com o guarda, e não com a sua vida. Os próprios pais, nesse caso, são para os filhos a figura da lei e, na sua ausência, esses se julgam livres para fazer o que querem e não o que devem fazer.

A educação eficaz é aquela que desenvolve a autonomia na criança. A capacidade de autogerir-se com as leis que já conhece. É o homem de bem, que age conforme sua consciência, e não porque alguém lhe impõe isto ou aquilo. Se a criança quer abrir uma mercadoria no supermercado, os pais devem orientá-la que a mercadoria não lhe pertence, explicando que só podemos dispor do que compramos. Essa informação servirá também para quando ela estiver sozinha. Se for dirigir o automóvel, é bom que saiba que existem leis no trânsito que devem ser respeitadas para o bem de todos, e não porque sofrerá uma multa. Que deve usar o capacete para sua própria segurança, e não para mostrar ao guarda.

Diante disso, é bom pensarmos mais na importância da educação correta dos nossos filhos, desenvolvendo neles a capacidade de autogerir-se, estando ou não diante de uma autoridade. Quando passamos para a criança as informações corretas, capacitando-a para refletir em torno de seus atos, não teremos que nos preocupar com o adolescente, e estaremos formando um cidadão honesto e responsável. Ele saberá que, além das leis dos homens, existem também as Leis de Deus, e que essas são invioláveis, porque as trazemos inscritas na nossa própria consciência.

Assim sendo, façamos o melhor que pudermos àqueles a quem Deus nos confia a educação. Só assim estaremos construindo uma sociedade justa no porvir.

Desde os tempos de Moisés a lei se expressa numa figura exterior. Percebendo que os homens da época só obedeciam pela força, Moisés criou uma série de leis austeras e lhes deu caráter divino, para poder conduzir aquela multidão rebelde.

Jesus trouxe leis de acordo com a atual psicologia, que conclui que a melhor forma de educação não é a do não, não roubar, não cobiçar, etc. E sim, a do agir: amar o próximo como a si mesmo, fazer ao próximo o que gostaria que ele lhe fizesse, e assim por diante.

AS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS PODEM ATRAPALHAR UM RELACIONAMENTO?

Os casais não devem perder de vista que o quadro das existências é assinalado pelo entrosamento dos dois mundos – físico e espiritual - um incidindo sobre o outro, e, assim, em virtude de haver sérios comprometimentos entre encarnados e desencarnados, é fácil achar processos de perversas associações mentais, determinando enfermidades morais, viciações, desarmonias, ou processos de vinganças que são levados a cabo através de perseguições, de infiltrações pelos poros abertos das invigilâncias e permissividades do cotidiano, forjando quadros de variadas obsessões.

Assim, muitas separações conjugais são incentivadas por comparsas de pretéritos equívocos, ainda mantidos no Mundo Invisível, ou por inimigos ferrenhos, que não suportam acompanhar a rota de felicidade daqueles aos quais odeiam, ou invejam, simplesmente. Dentre os que se mostram inimigos temos muitos amores traídos de vidas passadas, corações que foram enganados com falsas promessas de bem-querer ou de fidelidade, filhos que foram abortados em passado remoto ou próximo, todos assinalados por mágoas profundas ou por sentimentos odiosos, por desejo de desforço, de vingança, devendo ser tocados em sua alma pelas energias da disposição de mudar dos seus perseguidos.

Somente dessa forma, os antigos dilapidadores da harmonia da vida lograrão chances de ventura, de um caminhar sem tantos atropelos na esfera moral.

Não se pode, então, pensar em casal bem-ajustado à alegria e ao equilíbrio sem os devidos cuidados com sua vida moral-espiritual.

José Raul Teixeira

CAMINHO ALTO

Além da morte, as alegrias são fulgurações crescentes do espírito, na liberação das forças emotivas que se descartaram da matéria mais densa; entretanto, no mesmo princípio, as dores da consciência atingem o superlativo da angústia.

À vista disso, o remorso em nós é qual fulcro de agonias morais reavivando a lembrança dos nossos erros, com espantoso poder de repetição.

Carregamos desse modo, além-túmulo, o fardo de nossas culpas, a exibir constantemente o espetáculo das próprias fraquezas, e imploramos a reencarnação como quem sabe que o corpo físico é o instrumento capaz de reabilitar-nos.

Nessas circunstâncias, não poupamos súplicas, não regateamos promessas, não medimos votos, não subestimamos sacrifícios...

Encomendamos serviço e luta, assinalando a inquietude do sedento que pede água.

Aspiramos a apaziguar paixões, purificar sentimentos, resgatar débitos, santificar ligações e elevar experiências, na conquista da própria renovação. E quase sempre renascemos em duras dificuldades, a fim de redimir-nos, à maneira do aluno internado na escola para educar-se.

Não recuses, assim, a provação ou problema que o mundo te impõe, nas horas breves da passagem sob a neblina da carne. A moléstia, a inibição, o sonho torturado, o parente difícil, a separação temporária ou o infortúnio doméstico representam cursos rápidos de regeneração pessoal, em que somos chamados ao próprio burilamento.

Recorda que voltarás, amanhã, para o lar da luz de onde vieste. Não impeça que o suor do trabalho ou o pranto do sofrimento te dissolvam as sombras do coração.

Todo mal de ontem ressurge ao mal de agora para que o bem apareça e retome a governança da vida.

O Erro desajusta; a dor restaura. É por isso que, entre a ilusão que obscurece e a verdade que ilumina, a reencarnação será sempre o alto caminho do recomeço.

Emmanuel

A UMBANDA E O EVANGELHO DE JESUS

do livro “Umbanda Pé no Chão”

A Umbanda vivencia o Evangelho de Jesus em sua essência através da manifestação do amor e da caridade prestada pela orientação dos guias e protetores que recebem a irradiação dos Orixás.

Encontramos no terreiro da verdadeira Umbanda entidades que trabalham com humildade, de forma serena, caritativa e gratuita; espíritos bondosos que não fazem distinção de raça, cor ou religião, e acolhem todos que buscam amparo e auxílio espiritual, conforto para dores, aflições e desequilíbrios das mais variadas ordens.

A Umbanda convida o homem a se transformar. Assim sendo, o consulente recebe esclarecimento sobre sua real condição de espírito imortal, ou seja, é levado a entender que é o único responsável pelas próprias escolhas, e que deve procurar progredir na escala evolutiva da vida, superando a si mesmo.

Mas para transformar-se é preciso estar pronto para compreender as energias que serão manipuladas, porque elas trabalham com o ritmo interno. Ouvir a intuição é, portanto, ouvir a si próprio; é saber utilizar os recursos necessários que estão disponíveis para efetuar a mudança do estado de consciência.

Por isso, transformar significa reverter o apego em desapego, as faltas em fartura, a ingratidão e o ressentimento em perdão. É não revidar o mal, mas sempre praticar o bem.

Dar sem esperar reconhecimento ou gratidão. A beleza da vida está justamente na “individualidade”, no ser único, criado por Deus para amar. E este ser único está ligado à coletividade pelos laços do coração e da evolução, a fim de aprender a compartilhar, respeitar, educar e ser feliz.

Somos o somatório dos nossos atos de ontem: por termos cometido inúmeros excessos, estamos conhecendo a escassez; ou melhor, sempre atuamos à margem, não conseguindo nos equilibrar no caminho reto, pois o processo de evolução é lento, não dá saltos, respeita o livre arbítrio, o grau de consciência e o merecimento de cada um.

A Umbanda pratica o Jesus consolador, e, silenciosamente, vai evangelizando pelo Brasil afora, levando Suas máximas: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo”, pois Ele nos envia o Seu amor incondicional, que não impõe condições, porque não julga, não cobra, apenas Se doa e espera pelo nosso despertar para as verdades espirituais, para o homem de bem que existe dentro de cada um de nós.

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